Os Tiranos abrem caminhos entre mundos para invadir o outro lado. Os Cavaleiros seguem esses caminhos para interromper a invasão. Você é um deles — e sua Estilha já está puxando.
Mundos que precisam de ajuda
A ordem dos Cavaleiros reúne gente de muitas camadas. Cada mundo que entrou para ela lembra de quando um Tirano chegou. Seus Cavaleiros seguem viagem para dar aos outros a mesma chance que tiveram: fechar a passagem dos invasores e deixar a vida seguir.
A regra da ordem é simples: uma Fenda aberta é uma Fenda pra selar.
Mundos como papel dobrado
Os mundos ficam em camadas, como papel dobrado. O conjunto é a Dobra. Onde ela está lisa, os mundos vivem separados; muitos nem sabem dos outros. Nos vincos, duas camadas se apertam.
O tempo corre em ritmos diferentes em cada camada. Algumas tiveram tempo para construir máquinas; outras abrigam florestas primevas. Cada uma tem suas próprias criaturas e sua própria história.
Ninguém sabe quem dobrou os mundos. Ninguém sabe se alguém dobrou.
O Âmbar lembra
O atrito entre as camadas deixa nos vincos um resíduo que endurece em veios dourados: o Âmbar. Cada fragmento guarda a memória dos dois mundos que o formaram, como um fóssil de dois lados ao mesmo tempo.
Um veio em repouso só brilha. Mas os Desdobrados aprenderam a reunir Âmbar suficiente em ninhos e ligar suas memórias. Aquecer o conjunto ajuda a despertá-lo; um fragmento sozinho não basta. Os dois mundos lembrados pelo ninho se tocam, e uma Fenda se abre.
Quanto mais tempo essa ligação permanece ativa, mais larga a Fenda fica.
Quem abre quer mandar
Os Desdobrados usam as Fendas para conquistar outros mundos. Alguns dos primeiros exploradores do Âmbar fugiam de derrotas e expulsões. Os que se tornaram Tiranos escolheram transformar a fuga em conquista. Viajar entre camadas não faz de ninguém um Desdobrado; tomar outros mundos é a escolha dessa facção.
Cada Tirano sustenta um ninho principal. Seus seguidores ocupam os caminhos e mantêm ninhos menores para trazer tropas. Os Cavaleiros enfrentam esses grupos até chegar ao líder da invasão.
Vencer os defensores permite ao Cavaleiro desfazer a ligação do ninho. Os fragmentos perdem seu brilho ativo, o ninho racha e a passagem começa a fechar. No ninho principal, é preciso derrubar o Tirano e vencer os invasores que restam.
Quem sela segue o puxão
Cada Cavaleiro carrega uma Estilha: um único fragmento de Âmbar preparado pela ordem. Lascado, polido e com a memória estabilizada, ele passa a brilhar em ciano. Não abre Fendas, mesmo aquecido. Acompanha caminhos que já existem.
Quando uma Fenda se fecha, o movimento corre pelos vincos. A Estilha puxa seu Cavaleiro por esse último caminho até o próximo vinco que está cedendo. A travessia termina de fechar a passagem atrás dele.
Por isso Cavaleiros: cavalgam o puxão. O destino vem da Dobra; a coragem de seguir é deles.
Proteja a Dobra. Sele as Fendas.
Quem sela, talha
A ordem tem um costume mais velho que qualquer regra escrita. Quando uma Fenda se fecha, o Cavaleiro talha na pedra mais próxima o símbolo da ordem: um escudo com duas camadas dobradas e um cristal entre elas, pintado do ciano da Estilha. É o Selo. Cada Cavaleiro acrescenta um entalhe só seu.
Para a ordem, o desenho são dois mundos e a Estilha entre eles: uma pessoa parada no meio para que os dois continuem inteiros. Para quem mora ali, é notícia boa: aqui teve invasão, e acabou.
Os povos ajudados refazem o Selo com o que têm. Uma folha dobrada com uma gota no meio. Uma mola com um rebite. Lajes de basalto empilhadas, com uma pedra azul. Nenhum sabe dizer de quem aprendeu.
Selos velhos demais
Os Cavaleiros encontram Selos em mundos onde a ordem não lembra de ter estado. Gastos pela chuva de séculos, com a tinta sumida, com entalhes que ninguém reconhece.
A ordem não tem uma resposta oficial, e os Cavaleiros discordam à vontade. Talvez tenha havido outros antes. Talvez a ordem seja muito mais velha do que pensa. Talvez seja só o tempo: numa camada onde ele corre depressa, um Selo do ano passado já é ruína.
Os veteranos contam aos novatos a história do Cavaleiro que achou o próprio entalhe numa pedra de mil anos. Ninguém acredita. Quase ninguém.
Uma porta trancada por fora
Os Desdobrados leem tudo ao contrário. Dizem que o Âmbar prova que os mundos já foram um só: se cada fragmento lembra de dois mundos, é porque um dia eles se tocavam. A Dobra seria uma prisão, e o cristal entre as camadas, o grampo que mantém o papel dobrado. “Desdobrar é libertar”, anunciam. E pretendem mandar em tudo o que libertarem.
Por isso os Tiranos mandam quebrar os Selos dos mundos que tomam. Os mais vaidosos talham por cima a própria versão, com a própria cara.
